Mpox no Brasil pós- carnaval acende o alerta sanitário
Historicamente, eventos com grande circulação de pessoas, como o Carnaval, ampliam o risco de disseminação de doenças infectocontagiosas. Especificamente durante o Carnaval fatores clássicos como as grandes aglomerações de pessoas com intensificação de contato físicos, a alta mobilidade inter-regional (fluxo turístico) e a dificuldade posterior de rastreamento de contatos apontam um cenário preocupante para o crescimento do número de casos de Mpox no Brasil.
Assim como aconteceu com o surto da Covid-19, o período pós -carnaval deve ser interpretado como janela estratégica de monitoramento epidemiológico.
Contextualização e reclassificação da doença
Até o dia 19 de fevereiro, o Brasil têm 47 casos registrados de Mpox este ano, segundo dados do Ministério da Saúde. Sendo:
- SP: 41 casos
- RJ: 3 casos
- Rondônia: 1 caso
- Santa Catarina: 1 caso
- Distrito Federal: 1 caso
A Mpox era chamada anteriormente de varíola do macaco porque o vírus foi identificado em macacos de laboratório em 1958, na Dinamarca. Como os sintomas são semelhantes ao da varíola, os pesquisadores chamaram de "Monkeypox" . Embora os primatas não sejam os reservatórios naturais do virus, mas sim roedores silvestres africanos onde a Mpox é endêmica.
O vírus da Mpox é causada pelo vírus MPXV. Este vírus pertence a família Poxviridae e ao gênero Ortopoxvirus, sendo classificado como uma doença zoonótica viral. Dividido em duas cepas: Clado I (variantes 1a e 1b) e Clado II (variantes 2a e 2b). Sendo a Clado I (endêmico em países da África Central) mais letal que a Clado II (endêmico em países da África Ocidental). O clado II se espalhou para países em todos os continentes em 2022.
A transmissão para humanos pode ocorrer de:
- Animais silvestres infectados (roedores)
- Pessoa infectada
- Materiais contaminados
O período de incubação pode ser de 5 a 14 dias, mas em alguns casos pode durar até 21 dia para surgirem os primeiros sintomas. Dentre os principais sinais e sintomas, destacam-se:
- febre
- calafrios
- dor de cabeça
- dores no corpo
- erupções cutâneas (lesões na pele)
- inchaço dos gânglios linfáticos (ínguas)
O diagnóstico é realizado de forma laboratorial por meio de teste molecular ou sequenciamento genético. Geralmente a amostra é colhida da secreção das lesões. A identificação dos infectados, o rastreamento dos contatos, a informação à população e a vacinação de grupos específicos são meios de conter a transmissibilidade e impedir a proliferação da doença.
Mais uma vez estamos diante de um alerta sanitário pós-carnaval. A prevenção é a principal forma de proteção. Mas prevenção passa por inflamação à sociedade. Momentos de festas como o carnaval aumentam o risco de transmissão e a folia pode se transformar em preocupação sanitária. O alerta sanitário é essencial para a vigilância epidemiológico e a prevenção de surtos. Não é alarmismo, é contenção e proteção através da informação.
Comentários
Postar um comentário