A conexão intestino–cérebro é um dos temas mais relevantes da neurobiologia em 2025.
O que é a conexão intestino–cérebro?
É a comunicação bidirecional entre o sistema digestivo e o sistema nervoso central, mediada por: sistema nervoso entérico (o “segundo cérebro”), nervo vago, microbiota intestinal,sistema imunológico, hormônios e neurotransmissores
🤔 O intestino não pensa, mas influencia diretamente emoções, comportamento, cognição e saúde mental.
1. Sistema Nervoso Entérico (SNE)
Conhecido como o “segundo cérebro”, é uma rede com mais de 100 milhões de neurônios no trato gastrointestinal.
Funções:
Controla digestão, motilidade e secreções
Comunica-se com o cérebro sem precisar da consciência
Atua de forma autônoma, mas integrada ao SNC
📌 O SNE é o elo neural local do eixo intestino–cérebro.
2. Nervo Vago (via neural direta)
É a principal via de comunicação rápida entre intestino e cérebro.
Como atua:
Transmite sinais sensoriais do intestino ao cérebro
Responde a metabólitos bacterianos e inflamação
Regula humor, estresse, inflamação e resposta autonômica
📌 Cerca de 80% das fibras do nervo vago são aferentes (do intestino para o cérebro).
🦠 3. Microbiota intestinal
Trilhões de microrganismos que influenciam diretamente o cérebro.
Mecanismos:
Produção de neurotransmissores (serotonina, GABA, dopamina)
Produção de ácidos graxos de cadeia curta (butirato, propionato)
Modulação do sistema imunológico
Influência no desenvolvimento neural
📌 A microbiota não age isoladamente, mas como reguladora do eixo.
⚗️ 4. Metabólitos microbianos
Substâncias produzidas pelas bactérias intestinais.
Principais exemplos:
Butirato → efeito anti-inflamatório e neuroprotetor. O Butirato é um ácido graxo de cadeia curta (AGCC), vital para a saúde intestinal. Ele é produzido pela fermentação de fibras por bactérias no cólon, atuando como principal fonte de energia para as células do intestino, fortalecendo a barreira intestinal, reduzindo inflamações, melhorando a imunidade, e com potencial para prevenir câncer de cólon, obesidade e melhorar a função cerebral, sendo encontrado em alimentos fibrosos.
Indóis → modulam sinalização cerebral.
Lipopolissacarídeos (LPS) → quando em excesso, induzem neuroinflamação.
📌 São mensageiros químicos entre intestino e cérebro.
🧬 5. Sistema Imunológico
O intestino abriga cerca de 70% das células imunes do corpo.
Interações:
Inflamação intestinal pode gerar inflamação sistêmica.
Citocinas inflamatórias atravessam ou sinalizam a barreira hematoencefálica.
Influenciam humor, cognição e comportamento.
📌 Inflamação crônica é um dos principais disruptores do eixo.
🧱 6. Barreira intestinal (“intestino permeável”)
Quando íntegra, protege o organismo; quando alterada, permite passagem de toxinas.
Consequências da disfunção:
Ativação imune sistêmica;
Aumento de LPS na circulação;
Impacto direto no cérebro (neuroinflamação).
📌 Muito estudada em doenças autoimunes e neuropsiquiátricas.
🧠 7. Eixo Hipotálamo–Hipófise–Adrenal (HHA)
Responsável pela resposta ao estresse.
Relação com o intestino:
Estresse altera microbiota
Microbiota regula resposta ao estresse
Cortisol afeta permeabilidade intestinal
📌 É um circuito bidirecional, não de causa única.
🧪 8. Células enteroendócrinas e neuropods
Descoberta mais recente (2015) por cientistas da Duke University, essas células são cruciais para o eixo intestino-cérebro.
Neuropods são extensões sensoriais de células em nosso intestino (células enteroendócrinas) que formam sinapses diretas com os nervos, permitindo uma comunicação rápida do trato intestinal com o cérebro.
Sexto Sentido" Intestinal: Essa capacidade de detecção e transmissão rápida é por vezes descrita como um "sexto sentido" que informa o cérebro sobre o que está acontecendo no intestino em tempo real, influenciando a saciedade, o humor e as respostas imunológicas.
Função:
Detectam nutrientes e sinais bacterianos
Transmitem sinais elétricos diretamente ao cérebro
Comunicação quase em tempo real
📌 Mostram que o intestino sente e informa o cérebro rapidamente.
Em resumo:
O eixo intestino–cérebro funciona por:
✔️ Vias neurais
✔️ Vias químicas
✔️ Vias imunológicas
✔️ Vias hormonais
✔️ Vias metabólicas
Sensação em tempo real: Tudo integrado permite que o cérebro "sinta" o que está no intestino quase instantaneamente. Tais descobertas abrem caminhos para entender melhor a obesidade, humor e distúrbios dietéticos, mostrando como os micróbios intestinais influenciam o comportamento. Pesquisas recentes sugerem um papel na modulação do sistema imunológico e consequentemente, nas doenças autoimunes. Um microbioma disbiótico é capaz de comprometer o eixo intestino-cérebro.